Exemplos

Um estudo, um livro e uma árvore

Um dos nossos estudos recuou nove gerações, com cerca de 300 documentos entre os séculos XVI e XX, e deu origem a um livro que conta a história da família até aos dias de hoje.

Os excertos abaixo vêm desse estudo real. Para proteger a família, mudámos os nomes, os lugares e as datas; a estrutura, o método e o tipo de informação são os originais.

Do estudo · ficha de pessoa Nomes, lugares e datas alterados
Nome
Domingos Vaz de AlmeidaHomem de negócio no Porto, natural do Alto Minho
Pais
João Vaz e Catarina de AlmeidaDocumento primárioAssento de casamento, 1671; confirmado por inquirições de 1729 [A2.21] [A2.50]
Batismo
18-02-1638, Santa Maria de VilarDocumento primárioRegistos paroquiais, Batismos [A2.7]
Casamento
03-05-1671, Massarelos, Porto, com Maria FerrazDocumento primárioAssento de casamento, na freguesia da noiva [A2.21]
Atividade
«Homem de negócio», com casas próprias na Rua das FloresDocumento primárioEscritura de 1709; lançamento da décima de 1719 [A2.36] [A2.47]
Naturalidade
Um processo de 1758 dá-o como natural do PortoDivergência tardiaContrariada pelas fontes da época; erro explicado no próprio processo [A2.75]
Interpretação
As casas da Rua de São Miguel terão ficado na famíliaHipóteseO filho volta a morar na mesma rua em 1745; a confirmar
Óbito
21-09-1719, São Nicolau, PortoDocumento primárioFez testamento; testamenteiros os dois filhos [A2.48]

Cada facto tem a sua fonte e o seu grau de certeza. As divergências não se escondem: explicam-se.

Do livro · parte II, A cidade

O rapaz que saiu

Porto, c. 1650–1750

Em 1729, quando um comissário foi a Vilar perguntar pelos avós de um bacharel do Porto, as testemunhas lembravam-se bem de Domingos. Disseram que «saiu em rapaz» da freguesia para a cidade, onde casou e teve filhos.

Em rapaz. Não sabemos com que idade exata, mas a expressão aponta para a adolescência: doze, catorze, dezasseis anos. A mãe morrera quando ele tinha cinco; o pai voltara a casar. A casa não chegava para todos. Para um segundo filho de lavrador, as saídas eram conhecidas: a Igreja, o exército, o Brasil — ou o Porto.

Domingos escolheu o Porto.

Quando volta a aparecer nos documentos, já é um homem estabelecido. Em 3 de maio de 1671 casou em Massarelos com Maria Ferraz. O assento diz expressamente que o noivo era filho de João Vaz e de Catarina de Almeida, «da freguesia de Santa Maria de Vilar». Domingos tinha trinta e três anos. Maria tinha vinte e um.

Onde os documentos se calam, o livro pergunta e assinala as hipóteses como tal.

Do livro · parte III, Homens da lei

Quando o Reino ficou sem rei

Porto, 1801–1819

O decreto de 16 de agosto de 1801 deu a Luís um lugar de desembargador da Relação e Casa do Porto. Tinha cinquenta e quatro anos e voltava, finalmente, à cidade onde nascera, ao tribunal onde o pai servira. Pela primeira vez em trinta anos de carreira, o trabalho e a casa ficavam na mesma cidade.

Em novembro de 1807, o exército de Junot entrou em Portugal. A família real, a Corte e boa parte do aparelho do Estado embarcaram para o Brasil. Lisboa ficou ocupada.

Em junho de 1808, quando chegaram notícias da revolta de Madrid, o general espanhol que governava o Porto retirou-se para a Galiza. A cidade ficou sem governo. Entre 6 e 9 de junho reuniram-se as autoridades civis e judiciais para decidir o que fazer — e entre os presentes estava o desembargador Luís Vaz de Almeida.

Por edital de 26 de junho, a Junta que passou a governar a cidade nomeou-o para sentenciar os presos «de Estado e de inconfidência»: os acusados de colaborar com os franceses.

Da árvore · linha principal e irmãosNomes e datas alterados. A linha principal está destacada.
João Vazc. 1605 – 1662Catarina de Almeida† 1643P.e Pedro Vaz1634 – 1690Domingos Vaz de Almeida1638 – 1719Maria Ferraz1650 – 1734Ana Vaz1641 – 1702Maria Vaz1643 – ?Rev. Dr. Bento Vaz1673 – 1751Dr. Manuel Vaz de Almeida1690 – 1766Teresa de Sousa Barreto1712 – 1770Luís Vaz de Almeida1747 – 1805Ana Joaquina1744 – 1790Rosa Maria1750 – ?… e mais cinco gerações, até aos dias de hoje

Estes exemplos mostram o que é possível num estudo extenso. Cada família é diferente: o que se encontra depende dos registos que sobreviveram.

Comece com o que já sabe.

Um nome, uma terra, uma data aproximada. Muitas vezes é quanto basta para começar.

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